Editorial Setenta e Quatro 1 ano

Um ano de Setenta e Quatro

Como jornalistas, ao criarmos um novo projeto, não nos repetimos nem seguimos receitas pré-estabelecidas. Foram meses de dedicação, de descoberta e de prazer em contribuir para o jornalismo de investigação, indo sempre ao encontro do que valorizamos numa publicação sem fins lucrativos.

Vivíamos o primeiro verão desde o início da pandemia quando uma série de acontecimentos levaram à estruturação do Setenta e Quatro. Ideias, necessidade de aprofundar temas, combate ao discurso de ódio, fortalecimento do jornalismo de investigação e contribuição para o debate público. Era um tempo de reflexão e de iniciar projetos.

Desde o início que a nossa ideia foi criar uma publicação sem fins lucrativos que desse voz a causas que merecem mais atenção. Fosse através do jornalismo, com artigos mais longos, ou de pontes com a Academia, publicando ensaios. 

Um dos ímpetos para este projeto foi um relatório sobre a extrema-direita para o jornalista britânico Paul Mason. O documento iria servir de base para uma parte do seu livro Como Travar o Fascismo. Quem fez a ponte foi a jornalista Joana Ramiro, sediada no Reino Unido. A partir daí a ideia avançou com ainda mais força e apoio financeiro. 

Alugámos um pequeno espaço, pensámos na linha editorial, trabalhámos no wiki da extrema-direita, redigimos um guia de estilo, imaginámos o site, falámos com dezenas de pessoas e avançámos com a primeira investigação. O projeto foi recebido com grande entusiasmo. Compreendeu-se a necessidade (e a importância) de fortalecer o jornalismo que se caracteriza pelo serviço público e não pela distribuição de dividendos por accionistas. Percebemos que havia espaço para um projeto como o Setenta e Quatro, para a reflexão e o escrutínio sem cair na ditadura do imediatismo. 

Um ano de trabalho culminou no lançamento do projeto a 13 de julho de 2021, na Casa do Capitão, em Lisboa. Desde aí lançámos investigações, publicámos dezenas de entrevistas e mais de uma centena de ensaios. Contribuímos para o debate público com os nossos cronistas e a nossa equipa cresceu. Ao fim de um ano, o balanço é positivo, ultrapassou até as expectativas.

Ao criarmos uma coisa nova, não nos repetimos nem seguimos receitas pré-estabelecidas, o que é só por si um desafio. Têm sido meses de grande esforço, de descoberta, de prazer em contribuir para o jornalismo de investigação e de formar estratégias, indo sempre ao encontro do que valorizamos numa publicação sem fins lucrativos. 

Mais importante que tudo, este projeto não seria possível sem as pessoas que depositaram a sua confiança em nós e que assinam o Setenta e Quatro. As subscrições representam mais de metade do nosso orçamento. E, aos nossos cronistas, uma palavra de agradecimento por todo o apoio e inspiração. 

O caminho é este. Para continuarmos, não podemos esperar por fundações, por bolsas, por grandes empresas, pelo mecenato ou pelo financiamento público. O tempo é agora. O nosso papel é investigar factos que entendemos ser do interesse público. Estamos cheios de vontade de dar continuidade. Ainda há muitas perguntas por fazer. Esperamos que desse lado continue a haver muita vontade de ler.

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