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Se não fosse a bandalheira com o RSI, este país até andava para a frente

Popularizou-se a expressão “subsiodependência”. O termo começou a ser muito usado pela extrema-direita, e agora é usado à vontade por grande parte da direita. Refere-se aos apoios estatais, de entre os quais o RSI, às famílias desfavorecidas. E para que fique claro, não se refere em circunstância alguma aos apoios estatais que grandes empresas recebem.

Crónica 74
7 Janeiro 2022

Eu sei que dizer uma coisa destas não é politicamente correcto, mas também já sabem que de mim não podem nunca esperar que me sujeite a esta nova ordem mundial que os esquerdopatas pseudo-progressistas querem implementar.

Estamos a pouco menos de um mês das legislativas e as verdades começam a vir ao de cima, seja na televisão ou redes sociais, venha de políticos ou opinadores. E ainda bem, porque as verdades são para ser ditas, ou mostradas em folhas A4 com bonecos e gráficos, impressas na Copianço.

Serve então esta crónica para destacar algumas das verdades politicamente incorrectas, daquelas que doem de tão verdade que são, sobre toda a questão do RSI.

Popularizou-se a expressão “subsiodependência”. O termo começou a ser muito usado pela extrema-direita, e agora é usado à vontade por grande parte da direita. Se, por algum acaso andam a dormir e não sabem o que é, refere-se aos apoios estatais, de entre os quais o RSI, aos quais as famílias mais desfavorecidas têm acesso. E para que fique claro, não se refere em circunstância alguma aos apoios estatais que grandes empresas recebem, aos benefícios fiscais dos quais usufruem entidades, ou individualidades, já com grande capital.

Como é bom de ver, naturalmente o termo só se aplica aos pobres, porque os pobres gastam o dinheiro todo em tabaco e minis, logo, ficam dependentes, lá está. Subsídios para grandes empresas, como por exemplo petrolíferas, já não causam dependência nenhuma porque os CEOs sabem sempre como gerar mais dinheiro. Pode ser só para si e para os seus accionistas, mas não deixa de ser mais dinheiro. Além disso, os mais pobres dos pobres, dependem de subsídios para não morrer à fome. Os ricos recebem subsídios para ficar mais ricos, mas não estão dependentes destes.

Depois, temos também a questão da usurpação destes subsídios pelos pobres que fingem ser pobres. Seria desonesto da minha parte não assumir que há uma imensidão de reportagens, documentários, testemunhos e estudos sobre a verdadeira e imensa pobreza na qual vivem os benificiários do RSI. Mas se alguém diz que viu um Mercedes à porta de um deles, quem somos nós para desconfiar?  Aliás, aquele senhor que parece mesmo fascista, só que não é fascista, começou por dizer isso na televisão, e foi logo um corrupio de gente apoiante da Iniciativa Liberal, PSD e Chega a dizer que era verdade no Twitter. Todos eles já viram casos destes, é impressionante.

Daí, grande parte da direita, com destaque na extrema-direita, querer monitorizar mais de perto todas estas pessoas que, em média, recebem perto de 120€ por mês para se governarem.

Por amor de deus, como assim, não chega? Se comerem arroz com atum todos os dias e usarem os cartões de descontos dos supermercados para uma guloseima ou outra, chega perfeitamente. Se à noite usarem velas em vez de electricidade também poupam e até dão um ar mais acolhedor à casa, e por aí fora. Posso depois escrever uma crónica só sobre dicas de poupança para pessoas que vivem na miséria, se quiserem.

Voltando ao ponto. A esquerda vem prontamente defender os pobres porque “equidade” e as balelas do costume, e acusa logo a direita de só querer monitorizar quem recebe dinheiro para não morrer à fome, mas não se preocuparminimamente com os milhares de milhões que se perdem em offshores, entre outros esquemas (só acessíveis a pessoas muito inteligentes) levados a cabo pelos mais ricos. Ora, isto é falso. Claro que a direita se preocupa com isso, tem é que se começar por baixo para dar uma lição à sociedade. Quando se resolver o gravíssimo problema do RSI, logo se pensa no resto.

Bom, isto já vai longo e não vos quero maçar mais, por isso chegamos ao ponto de tudo isto. Um país com pobres não anda para a frente, porque são como um âncora que não deixa os ricos ficarem ainda mais ricos, por terem de pagar impostos. E só os ricos dão sentido à humanidade.

Portanto, a única solução possível é acabar com o RSI, bolsas de estudo, entre outros subsídios que ajudam os pobres a conseguir respirar. Quem conseguir sobreviver, excelente. Estará a fazer de Portugal um país mais forte. Quem perecer, eu sei que pode parecer duro, mas é só uma questão de meritocracia.

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